
Tu és o "Leão do Norte" que só descansa
Nos dias alegres do maracatu e do frevo.
Pernambuco, sinceramente, eu não me atrevo
Cantar toda a sua folclórica pujança,
Que está no canto, nos ritos, na dança
Das "pastoras" na "Festa do Pastoril",
Frenesi no burburinho quase febril
Que arrasta pelas ruas tua população.
Pernambuco de Petrolina, de Jaboatão,
Da histórica Olinda com suas belezas
Da época colonial. Fortes e igrejas
Que no tempo sobreviveram aos desafios,
De Recife com suas pontes sobre os rios,
Suas praias... retrato da Veneza italiana.
Do solo massapê, onde a cultura da cana,
Na zona da mata, exuberantemente cresce,
Dos pequenos engenhos, que no agreste,
Fabricam a cachaça avidamente consumida...
Da ilha de Itamaracá, das belezas de Carnaíba,
De Garanhuns, das "Feiras de Caruaru"...
Dos espinhosos xiquexique e mandacaru
Que formam a caatinga que veste o sertão
Onde a seca castiga sempre, sem compaixão,
E deixa o sertanejo apreensivo, inquieto...
Pernambuco de João Cabral de Melo Neto,
De Gilberto Freyre, sociólogo e escritor,
De Frei Caneca da "Conferência do Equador"
Pela qual entregou a vida como tributo,
De Manuel Bandeira, de Joaquim Nabuco,
Dos ideais iluminando tua gente altaneira:
O da liberdade, na "Revolução Praieira",
O da independência, na "Guerra dos Mascates"...
Pernambuco de tantos outros destaques
Na vida do País... participações históricas!
Das riquíssimas manifestações folclóricas
Que enumerá-las eu não me atrevo
E, que estão nos ritos, no canto, na dança...
Tu és o "Leão do Norte" que só descansa
Nos dias alegres do maracatu e do frevo.
Poema de Agenor
