Comitiva do oeste baiano, no último dia 25, marcou presença na câmara federal, no intuito de verificar o andamento do processo referente ao Estado do Rio São Francisco. O sonho secular da criação do Estado do Rio São Francisco parece que a agora, tem grandes chances de sair do papel.
A câmara federal aprovou a realização do plebiscito que decidirá os rumos dos territórios paraenses Tapajós e Carajás. Tal decisão vem respaldar a luta dos sanfranciscanos. “Tudo indica que os estados dos Tapajós e Carajás serão criados, abrindo assim, precedente para também ser legitimado o Estado do Rio São Francisco”, acredita o autor do projeto, o dep. Gonzaga Patriota (PSB – PE).
O território que pertencia a Pernambuco foi tomado por D. Pedro I como uma punição por conta do Estado ter desencadeado o movimento separatista denominado Confederação do Equador.
O autor do projeto está só esperando o momento mais conveniente para levar a plenário o recurso apresentado à Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), que rejeitou o tema. A pretensão é colocar em pauta ainda em junho. “Estou mais animado do que nunca e confiante que desta vez tudo ocorrerá bem. Depois, além de vocês começarem a ressurgir, qual a diferença do Estado do Rio São Francisco, do Estado do Tapajós? O projeto é o mesmo, o que o parlamento aqui vai dizer? Aprovou Tapajós, aposto na idéia de que também aprovarão o estado do Rio São Francisco”, disse entusiasmado Patriota.
Gonzaga Patriota fez questão de deixar bem claro que a luta é grande, é de todos os 35 municípios que fazem parte da proposta do estado do Rio São Francisco. “Este é uma batalha de toda a sociedade e a região interessada precisa se mexer para sensibilizar os parlamentares dos diversos estados, no que tange a importância de se criar este novo Estado”.
Quanto à iniciativa do deputado Oziel Oliveira de protocolar um novo projeto, Patriota disse que é bom para fazer barulho e crescer o movimento. “Esta proposta semelhante apresentada por ele, vem apensar ao projeto mais antigo, dando sangue, pernas ao projeto original”.
Segundo o presidente da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania - CCJ, o deputado João Paulo Cunha (PT/SP), o cenário atual é oportuno favorece a discussão acerca da redivisão territorial no Brasil. “Vejam que os projetos dos Estados do Carajás e Tapajós obtiveram aprovação para o plebiscito, coisa que deve acontecer com o Rio São Francisco”, sinaliza o parlamentar.
Estiveram em Brasília, o dep. estadual Hebert Barbosa, o prefeito de Catolândia - o Dr. Robson Almeida, o vereador de São Desidério – Camarão, o coordenador da Ong Voluntarius – Edivaldo Costa, o representante da Fundasf - Frederico Nóbrega, o escritor – Durval Nunes, o articulador do site ZDA – Fernando Machado e o diretor de Jornalismo do Jornal do São Francisco.
Com a palavra Gonzaga Patriota
Vejo com bons olhos a criação de novos estados e municípios. Lagoa Grande que se tornou destaque por suas vinícolas era um distrito abandonado, ajudamos a criar, hoje é a capital do vinho e da uva do nordeste. O outro caso contemporâneo aí foi a criação do Estado do Tocantins, que chamava o pedaço podre de Goiás, hoje é um dos estados que está em ritmo acelerado de desenvolvimento do Centro Oeste.
Mais de quinhentos anos do descobrimento das terras à esquerda do rio São Francisco – o Oeste Baiano é hoje o mais próspero e cobiçado da região nordeste. Pejorativamente denominado por alguns baianos do litoral, como o “além São Francisco”, essa maravilhosa região que tanto ajudou na economia da Bahia, ficou durante quatrocentos anos praticamente isolada do Estado pelo rio da Integração Nacional.
Somente no século passado é que foram construídas as pontes de Bom Jesus da Lapa e de Ibotirama, interligando a Bahia ao futuro Estado do Rio São Francisco. Esse futuro Estado conta com 35 municípios, mais de um milhão de habitantes, renda per capita igual a do Estado de Tocantins, maior produtora de soja e de milho do nordeste e, com duas maravilhosas cidades que encantam todo o país.
Barreiras e Luiz Eduardo Magalhães. 15 agências bancárias, quase dois bilhões de PIB, o maior parque industrial da região, agroindústrias e, ambas se preparando para sediar a Capital do futuro Estado do Rio São Francisco, cujo projeto tramita na Câmara dos Deputados. Não podemos brincar com esta região do Oeste Baiano, a gente tem que trabalhar para emancipá-la. Com isso ganhará todos nós.
Fonte: Jornal do São Francisco
terça-feira, 31 de maio de 2011
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